Ao longo dos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro e atores políticos próximos a ele tentaram dar um verniz democrático à pauta para os atos de 7 de setembro.

Agora, em vez de ir contra a ‘ditadura da toga’, Bolsonaro e aliados passaram a falar, de maneira mais genérica, que os protestos do Dia da Independência serão pela liberdade do povo brasileiro. Em canais e grupos bolsonaristas no Telegram, porém, a reconfiguração da pauta não colou.

Em 11 grupos e canais vistos pelo Núcleo, alguns com mais de 25 mil assinantes, ainda predomina o discurso anti-democrático de que as manifestações da próxima terça-feira, convocadas pelo presidente, tem o objetivo de “acabar com a ditadura do Judiciário”. Elas também pedem  pelo “saneamento das instituições Suprema Corte, Congresso Nacional e Tribunal Superior Eleitoral”.

Em um dos grupos, na tarde de quinta-feira circulou um vídeo de um homem que se diz coronel da reserva do Exército Brasileiro dando orientações sobre a “ocupação do território inimigo”, em referência ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, não deve haver depredação, mas os presidentes devem assinar um termo de rendição.

O Telegram tem crescido entre a extrema direita após muitos grupos terem sido penalizados em plataformas maiores, como Twitter e Facebook, por divulgar discurso de ódio, incitação à violência ou desinformação sobre a pandemia.

O ponto principal do Telegram agora tem sido mais a organização e a referência do que puramente o volume. É ali que os apoiadores podem se reunir para consumir conteúdo (inclusive desinformação) de outras redes e se organizar sem medo de retaliação da plataforma, como foi o caso de ataques contra o STF em 2019 ou do grupo extremista 300 do Brasil. Nos EUA, esse tipo de organização também foi registrado recentemente.

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É IMPORTANTE PORQUE…

  • Grupos e canais em aplicativos privados como Telegram e WhatsApp podem trazer pauta mais radicalizada do que em redes abertas
  • Suscita dúvidas sobre a adesão de bolsonaristas ao discurso mais “ameno” apresentado pelo presidente e aliados na última semana

Texto Laís Martins
Edição Sérgio Spagnuolo

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