A repercussão no Twitter das manifestações de 29 de maio em todo o Brasil ajudou a sedimentar uma narrativa unificada contra o presidente Jair Bolsonaro, que estava pulverizada nos debates da rede nas últimas semanas, entre pautas como CPI da Pandemia, vacinação e voto impresso.

Os debates no Twitter são particularmente importantes porque, frequentemente, pauta as conversas em outras redes sociais, em estratégias de comunicação e até mesmo em políticas públicas.

Com as manifestações, a campanha anti-bolsonarista expandiu seu campo de diálogo, engajando outros atores e consolidando uma estrutura de atuação que poderá, em 2022, ser bastante significativa. A manifestação da Av. Paulista, em São Paulo, e brutalidade da Polícia Militar de Pernambuco tiveram papéis centrais no debate.

Diferentemente das manifestações de junho de 2020, quando alguns influenciadores contrários a Bolsonaro criticaram aglomerações, desta vez não houve um grande movimento de críticas aos que foram às ruas por parte de anti-bolsonaristas, mas sim preocupação com a segurança e com os protocolos. Manifestações na linha do “não pude ir, mas estou feliz pela mobilização” tiveram significativo destaque.

O volume de menções ao #29M foi alto (+560 mil), e trouxe um elemento incomum na rede nos últimos anos: foi quase o dobro das citações ao termo “Bolsonaro”. Além disso, as menções foram três vezes maiores sobre as manifestações do que sobre a CPI da Pandemia.

O bolsonarismo optou por reagir às manifestações em duas frentes:

  1. Ataques contra os atos em si (algo muito próximo do que ocorreu durante as manifestações pelo #EleNão), na qual a esquerda poderia ser derrubada usando uma mistura de exposição, entretenimento e indignação – em geral com exageros escandalosos que podem causar uma reação desproporcional do adversário e uma contrarreação ainda mais furiosa, escalando as tensões.
  2. A segunda ofensiva, ainda que confusa, tenta responsabilizar a oposição por uma mistura de aglomerações + terceira onda + PT. Tentam, aqui, incluir o nome do ex-presidente Lula com um dos alvos, a quem responsabilizam por de forma indireta “convocar” as manifestações. Aqui, atores como Adrilles Jorge, Rodrigo Constantino, Eduardo Bolsonaro e setores do lavajatismo, como Antagonista, se destacam em volume de interações.

DADOS GERAIS

  • Campo bolsonarista: 12,54% dos atores; 13,02% das interações;
  • Campo anti-bolsonarista: oito clusters com 82,57% dos atores; 84,49% das interações;
  • Hashtags: #29mforabolsonaro, #forabolsonaro, #29mpovonasruas, #29m;
  • Termos: Aglomeração, Manifestação, Bolsonaro, Ruas, Povo, Genocida, Esquerda.
imagem da capa do livrete com dados de generais do Exército

O que se destaca é a pluralidade de clusters que compõe o campo antibolsonarista, aqui marcados pelas cores verde, lilás, laranja, entre outras. A exceção é o campo bolsonarista, sinalizado pela cor azul e que, para além de em menor tamanho, sinaliza um isolamento desse perfil de usuário.

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27/05/20211593
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Texto Sérgio Spagnuolo
Análise Pedro Barciela
Edição Alexandre Orrico

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