O jornalista Rubens Valente, especializado na cobertura de direitos humanos em veículos como Folha e UOL, foi condenado a pagar R$ 310 mil a Gilmar Mendes. O ministro do STF alega ter sofrido danos morais pela publicação do livro "Operação Banqueiro" (2014). Na obra, Valente relata as decisões de Mendes que levaram à soltura do banqueiro Daniel Dantas.

Valente alega que não há ofensa ao ministro nem erros de informação no livro.

A condenação vai além da ordem de indenização, como relata Vasconcelo Quadros na Agência Pública:

"Numa punição sem precedentes, os dois tribunais [STJ e STF] ainda impuseram ao jornalista que inclua numa eventual reedição do livro, como direito de resposta, a sentença, acompanhada da transcrição integral e fiel da petição inicial interposta por Gilmar Mendes, algo em torno de 200 páginas que, uma vez enxertadas por força judicial, desfigurariam a obra."

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) considerou o episódio um "precedente perigoso para o regime legal e constitucional da liberdade de expressão no Brasil" e levou o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Em fevereiro, Valente já teve que pagar R$ 143 mil ao ministro do próprio bolso. Mas Gilmar Mendes pediu que o jornalista se responsabilizasse também pela parte da editora. O juiz do caso acatou o pedido e ainda impôs uma multa.

O jornalista Eduardo Militão, então, iniciou uma campanha de arrecadação em solidariedade a Valente, com meta de R$ 310 mil, o valor total da condenação. A campanha tem a autorização de Rubens.

Até esta terça-feira (9), a iniciativa já havia arrecadado R$ 125 mil.

Se você quiser colaborar com a campanha, pode usar a chave PIX acima ou os seguintes dados bancários:


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