Meta remove anúncios de instituto conservador de Eduardo Bolsonaro por violação às regras
Arte: Rodolfo Almeida

Anúncios foram derrubados por não terem identificação clara de quem havia pago por eles. #NúcleoNasEleições

A Meta removeu ao menos 50 anúncios veiculados pelo Instituto Conservador Liberal (ICL), empresa na qual o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) é presidente, em razão de uma violação às regras da empresa para anúncios de temas sociais, eleições ou política.

Ao consultar a Biblioteca de Anúncios da Meta, que permite a qualquer usuário consultar quem pagou por um anúncio, qual valor e outras informações sobre distribuição, os anúncios do ICL apareciam como pagos por "TTLJIAAVN FCLIXUN O XX, VA", que não corresponde a nenhuma página ou perfil na rede social.


É importante porque...

Há regras claras para impulsionamento de conteúdo de temática política na plataforma e qualquer usuário deve segui-las.

Ao menos 50 anúncios foram promovidos antes que a Meta identificasse ali uma violação das regras


Exemplo de anúncio veiculado pela página

O Núcleo entrou em contato com a empresa na terça-feira (7) para questionar a legitimidade dos anúncios, já que não era possível identificar a pessoa ou página que havia pago pelas publicações, uma das regras estabelecidas pela plataforma para impulsionar conteúdo de cunho político. Foi após o questionamento do Núcleo que a Meta tirou do ar os anúncios.

Em nota enviada por meio da assessoria de imprensa, a Meta disse:
"Agradecemos o Núcleo por ter nos trazido o tema e estamos investigando o que pode ter acontecido. Todo anunciante que deseje fazer anúncios sobre eleições ou política nos aplicativos da Meta precisa passar por uma autorização e incluir um rótulo que indique com precisão o nome da pessoa ou da entidade responsável pelo anúncio. Caso os rótulos não sigam as políticas, eles são rejeitados"

O Núcleo solicitou à Meta esclarecimentos adicionais sobre o que significa essa rejeição, visto que muitos dos anúncios pagos por esse "TTLJIAAVN FCLIXUN O XX, VA" ficaram ativos na página por mais de um dia. Até a publicação do texto não houve resposta.

Após a resposta da Meta, o Núcleo identificou na Biblioteca de Anúncios que constava como ativo um novo anúncio do Instituto Conservador Liberal, ainda impulsionado por esta mesma pessoa ou página.

ATUALIZAÇÃO (08.jun.2022): Às 18h45, a Meta enviou ao Núcleo uma atualização da investigação sobre o ocorrido:

"Devido à uma questão técnica o rótulo não estava sendo exibido conforme pretendido pelo anunciante. Estamos corrigindo a situação e pedimos desculpas".

Os anúncios do ICL voltaram a aparecer como ativos na Biblioteca de Anúncios e com a identificação de que foram pagos por uma pessoa chamada Helisson Elion Silva.

Segundo a Biblioteca de Anúncios, a página, que tem 12,6 mil curtidas, havia gasto R$23 mil em anúncios exibidos no Facebook e Instagram entre 4 de março e 7 de junho. A maior parte do dinheiro foi investida na exibição de anúncios para usuários em São Paulo.

Captura de tela de anúncios do ICL que foram removidos pela Meta

"FEIRA MAIS CONSERVADORA DO BRASIL"

Em seu site, o ICL diz que tem o objetivo de "tornar-se o maior instituto de educação política do país, trabalhando na recuperação, no desenvolvimento, e na difusão dos valores conservadores-liberais da sociedade brasileira". Um dos eixos de atuação, segundo o site, é no fomento de estudos, pesquisas e análises.

O ICL também organiza eventos. A empresa é uma das organizadores da CPAC Brasil, a versão brasileira do evento conservador norte-americano. A edição de 2022 está prevista para acontecer neste fim de semana (11 e 12.jun.2o22).

Alguns dos anúncios removidos promoviam o evento, que acontecerá num resort em Campinas, cidade do interior paulista. O ingresso presencial custa R$247 e o online R$47. Na programação anunciada no site da CPAC, aparecem nomes do núcleo duro bolsonarista, como o ex-secretário especial da Cultura, Mário Frias, a deputada federal Carla Zambelli e o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A primeira edição no Brasil aconteceu em 2019 e foi encabeçada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, que já havia participado do evento nos Estados Unidos. Segundo reportagem do UOL de 2019, a feira custou R$800 mil e foi paga pelo PSL, partido ao qual Eduardo estava ligado na época.

Uma consulta ao site da Receita Federal revela que Eduardo ocupa o cargo de presidente do Instituto Conservador Liberal, no qual ele divide a sociedade com Sérgio Henrique Cabral Sant'Ana, que foi assessor do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub. O CNPJ do Instituto possui registro em uma lista diversa de atividades, desde edição de livros até serviços de assistência social, produção de pesquisas de opinião e organização de feiras.

Segundo reportagem da Folha de 14.mai.22, Eduardo teria acompanhado o pai, o presidente Jair Bolsonaro, em viagem aos Emirados Arábes Unidos para "promover acordos de internacionalização do Instituto Conservador Liberal".

Reportagem Laís Martins
Edição Julianna Granjeia

Texto atualizado às 19h11 de 8.jun.2022 para incluir novo posicionamento enviado pela Meta.


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