Hoje a CPI da Covid encerra seus trabalhos pedindo o indiciamento de 66 pessoas e duas empresas, por um total de 23 crimes – entre os indiciados está o presidente Jair Bolsonaro e, entre os nove crimes imputados a ele, está o de charlatanismo.


Esta CPI entra para a história como a comissão parlamentar mais acompanhada, debatida, amada e odiada pelo público. Também foi uma que mais rendeu momentos memoráveis (talvez porque agora a gente captura tudo e joga nas redes sociais).

Aqui estão alguns deles:

De cara, o Senador Angelo Coronel fez a pergunta que pairava na cabeça de todo mundo queria fazer para o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello:

Grande momento: "Eu queria saber pois estou curioso: qual era sua função exatamente?"

E vira e mexe Flavio Bolsonaro apareceu para tumultuar a a CPI:

Grande momento:
01: "Imagina a situação: um cidadão honesto ser preso por um vagabundo como Renan Calheiros?"
Renan: "Vagabundo é você, que roubou dinheiro do pessoal do seu gabinete".

Enquanto a missão do 01 era tumultuar, a infectologista Luana Araújo foi para esclarecer, e definiu o "tratamento precoce" em poucas (e boas palavras):

Grande momento: "é uma discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente".

Na sequência do depoimento da médica, o senador Marcos do Val (Podemos - ES) veio passando pano para o governo e o Omar Aziz ficou de canto resmungando – só que o resmungo vazou.

Grande momento: "um cabra desse vem falar merda".

Aliás, a corda da paciência do senador Omar Aziz, que preside a CPI, foi puxada muitas vezes, e nem sempre resistiu. Como quando ele deu voz de prisão para o Roberto Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, depois de ouvir horas de lorotas.

Grande momento:
Advogada do Roberto Dias protestando contra o pedido de prisão: "Ele está aqui desde as 10 da manhã, respondendo às perguntas"...
Omar Aziz, impassível: "Eu também tô aqui".

Para o depoente Luiz Paulo Dominguetti, policial militar que sabe Deus como foi parar no meio de supostas negociações milionárias de vacina,  Omar mandou um recadinho que ficou famoso:

Grande momento: "lá na minha região, chapéu de otário é marreta".

Falando em perder a paciência, a senadora Katia Abreu (PP-TO) teve seus momentos.

Grande momento: "o senhor (...) foi uma bússola que nos direcionou para o caos".

A CPI também teve momentos de desabafo, inclusive de ex-aliados que botavam muita fé no presidente Bolsonaro. Como o deputado Luis Miranda (DEM-DF), que até chorou.

Grande momento: "Que presidente é esse, que tem medo da pressão de quem tá fazendo o errado? De quem desvia dinheiro público das pessoas morrendo nessa p*rra desse Covid?"

Ou do senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que denunciou e rebateu o empresário bolsonarista Otávio Fakhoury, que havia feito um comentário homofóbico sobre ele no Twitter.

Grande momento: "O senhor não é um adolescente. É casado, tem filhos. Sua família não é melhor do que a minha”.

A investigação foi a fundo. Tão a fundo que esbarrou em um cara que se intitulava o "Superman brasileiro" e estava listado como diretor de uma instituição ligada à compra de vacinas pelo governo...

Grande momento:
Senador Jean Paul Prates (PT-RN): "o senhor conhece o Aldebaran?"
Amilton Gomes de Paula, depoente, representante do Senar: "assim, conhecer para estar conversando, não"
Senador: "o senhor sabia que ele reivindica... ele reivindica... que ele é o SUPERMAN BRASILEIRO?"

E esse nem foi um dos momentos mais pirados desta CPI da Covid. Ainda teve o senador governista Luis Carlos Heinze (PP-RS) esquecendo onde tinha posto os óculos e criando na vida real o que parece ser um filtro maluco de Instagram.

Grande momento: TUDO.

Mas a real é que a CPI foi essencialmente um negócio pavoroso, como quando a advogada dos médicos que denunciaram a Prevent Senior disse que eles escutavam muito a frase "óbito também é alta".

Texto Clarissa Passos
Edição Alexandre Orrico

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