"Quem disse que emo não pode impedir assalto?", perguntaria alguém, provavelmente a mesma pessoa estranha que perguntou "quem disse que morena não pode usar biquíni?".

Mas aconteceu mesmo. Não a morena de biquíni, o emo no assalto. Segue o relato da @velhade30anos:

A história chamou a atenção do Lucas Fresno, uma das maiores autoridades em emo do Brasil.

E o emo-anjo-herói, por fim, apareceu. É o Antares, que se identifica no Twitter como @magrolindo.

Conversei pelo Twitter com ele, que fez duas pequenas correções. A primeira: "Eu já fui bem emo, mas hoje em dia não". A segunda: "Eu não tenho o cabelo azul! Mas entendo a visão dela, eu tava todo de preto e de touca no dia, foi tudo muito rápido". Ah, o Antares tem 20 anos, não os 17 estimados pela vítima do assalto.

Ele enviou com exclusividade para o Núcleo uma foto de seu look naquele dia:

Foto: Antares (twitter.com/magrolindo)

Veja, a seguir, alguns trechos da entrevista que fizemos com o Antares, que é produtor de eventos e dono da festa Vagabaile.

Como foi que você decidiu enfrentar o assaltante? Você teve medo?

Cara, eu não sei de onde saiu a coragem nesse caso porque eu estava sozinho, mas eu simplesmente não aguentei ficar parado. Foi uma cena muito horrível, eu tava subindo as escadas, e o cara tava agarrado com ela no chão, tentando pegar o celular dela, e ela gritando por socorro.

Você se machucou?

Ele nem encostou em mim, kkkk. Pode-se dizer que literalmente deu tudo certo, porque eu consegui o celular de volta e saí ileso. Só fiquei com medo de ele voltar o caminho atrás de mim com uma faca ou coisa do tipo, então eu subi correndo pro meu evento, onde estavam os meus amigos.

Alguém te ajudou?

Na verdade, na hora em que eu derrubei ele e tomei a iniciativa, uma senhora de uns 60 anos deu uns chutes nele, mas estava receosa de ele reagir e saiu de perto logo.

Alguém chamou a polícia?

Pra ser sincero, nesse tipo de caso ninguém conta com a polícia pra nada. Já cansei de ver amigos serem assaltados no centro, avisarem a polícia e eles dizerem que não há nada a ser feito. Inclusive, onde isso aconteceu (na porta do metrô Anhangabaú) costuma ter várias bases da polícia, por conta do teatro e tudo mais, mas continua acontecendo porque não costumam fazer nada.

Como você se sente agora? Faria tudo de novo?

Fiquei muito orgulhoso! Com certeza faria tudo de novo. Dessa vez com um pouco mais de cuidado, já tive a sorte de o cara não estar armado, kkkk. Foi muito bom ver a gratidão da moça na hora, ela me agradeceu muito. E ontem, quando falei com ela novamente, agradeceu mais ainda. Fiquei realmente feliz que tudo tenha dado certo!


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