Em 2018, um pesquisador do Facebook desativou o algoritmo que monta o feed de notícias para 0,05%da base de usuários. Os sujeitos do estudo aumentaram em 50% a quantidade de posts ocultados e, com isso, a quantidade de posts de grupos, uma das poucas áreas ainda bem ativas no Facebook, aumentou no topo do feed.

As Interações Sociais Significativas (MSI, na sigla em inglês) despencaram 20%. Há anos as MSI são a principal métrica que do Facebook usa para tomar decisões que afetam engajamento e o feed de notícias.

O pequeno grupo também passou mais tempo rolando o feed, o que poderia ser uma boa notícia ao Facebook — mais rolagem significa mais anúncios que significam mais dinheiro —, mas visto que todos os outros indicadores caíram, esse tempo extra não era do tipo que interessa à empresa. “As coisas estão piorando”, escreveu o pesquisador durante o experimento.

A ideia foi descartada, e não é muito difícil encontrar problemas na execução do estudo. O principal, creio, é que embora a organização fosse diferente, essa fatia minúscula da base de usuários recebeu um feed de notícias criado pelos outros 99,95% que continuaram usando o Facebook sob os mesmos incentivos perniciosos. Talvez sejam necessários mais estudos para mensurar direito os impactos de um feed cronológico no Facebook ou em qualquer rede social. Via Big Technology (em inglês).

DÁ LIKE

Outros documentos do vazamento mostram como as reações, que se somaram ao botão “Curtir” em 2016, foram instrumentalizadas pelo Facebook para manipular as emoções dos usuários e, com isso, aumentar o engajamento na plataforma. Em 2017, os emojis de reações eram cinco vezes mais potentes que o “Curtir” para rankear conteúdos no feed de notícias.

Em 2019, cientistas de dados do Facebook confirmaram que posts com muitas reações de “raiva” eram desproporcionalmente mais suscetíveis a conter desinformação, conteúdo tóxico e notícias de baixa qualidade.

A matéria do Washington Post revela todo o caminho das reações — hoje, elas não têm peso algum no rankeamento de posts — e outros artifícios que o Facebook emprega no algoritmo do feed para manter os usuários engajados, mesmo que — literalmente — pela força do ódio.

Como resumiu Frances Haugen, ex-funcionária que vazou os documentos internos do Facebook Papers, falando ao parlamento britânico nesta segunda (25.out), “Raiva e ódio é a maneira mais fácil de crescer no Facebook”.

Via Washington Post (em inglês).

Publicado em parceria com o Manual do Usuário

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