Grupos armamentistas estão usando o Telegram para organizar a ida a uma manifestação em Brasília no dia 9 de julho, convocada pela associação Associação Nacional Movimento Pró Armas (AMPA).

Em diferentes grupos do Telegram – o Núcleo monitorou quatro deles, todos voltados para a temática armamentista – usuários estão organizando carreatas de vários Estados brasileiros a fim de participar do protesto. Outras contas promovem pacotes de viagens que incluem estadia e transporte para a capital na data da manifestação.

Os canais também vêm sendo utilizados para circular campanhas de arrecadação para o Pro Armas, associação sediada em Campo Grande cujo slogan, segundo seu site, diz: “A decisão de proteger sua vida, família e patrimônio cabe exclusivamente à você! [sic]”.

A entidade foi fundada pelo advogado Marcos Pollon, conhecido defensor armamentista. Em 2020, ele representou a militante de extrema direita Sara Geromini, conhecida como Sara Winter, investigada na CPI das Fake News e líder do ex-grupo radical “300 do Brasil”, que acampou por meses na Esplanada dos Ministérios e basicamente defendia um golpe de estado no país. Ela foi presa ano passado sob a Lei de Segurança Nacional.

Além de imagem de QR code acompanhado de uma chave PIX para arrecadar R$ 25 mil para confeccionar faixas, há também uma campanha na plataforma Vakinha que angariou mais de R$ 200 mil, o dobro da meta estipulada.

Desde o meio do ano passado há mensagens nos grupos sobre o ato de 9 de julho, cujo lema é “Não é sobre armas, é sobre liberdade”. Na mesma data no ano passado, a Pro Armas já havia realizado uma manifestação semelhante em Brasília, que reuniu pouco mais de 5 mil pessoas, segundo a própria associação. No ano passado, a manifestação contou com a presença do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

O próprio movimento Pro Armas também tem ao menos dois canais próprios no Telegram. Um deles, com mais de 6,3 mil inscritos, serve como canal de distribuição para divulgar lives, vídeos e links para consultas públicas sobre temas diversos, de políticas de armas ao voto impresso. Um segundo canal tem cerca de 3,5 mil membros e funciona como um fórum onde usuários têm permissão para enviar mensagens.

Print de Telegram com promoção de agência de viagem para manifestação em Brasília

Fonte: Print de tela de grupo do Telegram

NOTA: O Núcleo decidiu por não colocar links para grupos armamentistas para não ajudar promover potenciais atos antidemocráticos


É IMPORTANTE PORQUE…

  • Telegram tem sido uma ferramenta cada vez mais utilizada pela direita para organizar manifestações.

Reportagem Laís Martins
Edição Sérgio Spagnuolo

Leia também...