A Central Única das Favelas (CUFA) suspendeu seu cadastro de beneficiários por reconhecimento facial após questionamentos de ativistas e pesquisadores no Twitter.

A suspensão, anunciada pelo presidente da CUFA, Preto Zezé, veio poucas horas após um post (apagado depois) de Celso Athayde, um dos fundadores da CUFA, sobre o uso do reconhecimento facial pela organização -- cuja meta era cadastrar 2 milhões de pessoas até 2021.

A publicação de Athayde gerou uma série de questionamentos de ativistas e pesquisadores, dentre eles a da cientista social Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios da Segurança, e a cientista da computação Nina da Hora, da PUC-Rio.

@pblnns @ninadhora @opanopticobr @vvracional estão avisando, @CUFA_Brasil @pretozeze e @celsoathayde: saiam dessa!!! Empresas dão serviço de reconhecimento facial de graça e ficam com os bancos de imagens da CUFA! Vão entregar 1 milhão de rostos das mães p/ iniciativa privada? https://t.co/XgpfCuuKduApril 26, 2021

O cadastro por reconhecimento facial, utilizado pela CUFA nas entregas de alimentos e cartões-alimentação, estava sendo realizado em parceria com a empresa IDTech Acesso Digital, segundo nota publicada no site da CUFA no início de abril.

Qual a finalidade ? Os dados vão ficar armazenado aonde ? As pessoas assinam algum termo autorizando isso ? Transparência dos dados coletados e processador ? Qual a empresa por trás disso ? PERGUNTA BÁSICAS https://t.co/50MjoMeXdYApril 26, 2021

Com a suspensão, as entregas e cadastros das pessoas voltarão a ser feitos com papel e caneta até que se encontre uma alternativa segura, escreveu Athayde em post no seu Instagram.

O Núcleo enviou questionamentos para a CUFA por meio da assessoria de comunicação, e obteve a seguinte resposta (na íntegra).

A Cufa atua há mais um ano no combate aos impactos da pandemia em mais de cinco mil favelas em todo Brasil, sempre com controle e prestação de contas feitos no papel e caneta. A escolha do uso de tecnologia de ponta, que está em teste, é justamente para agilizar os nossos processos e reforçar a transparência que é uma exigência dos doadores para absolutamente todas as organizações. Reforçamos que estamos cientes da LGPD e não há nenhuma possibilidade dos dados serem usados pra outra finalidade.Porém, a Cufa acaba de tomar uma decisão. Só fará parceria com os doadores que aceitarem as prestações de conta em forma de fotos e videos. Nenhum dado será solicitado a nenhum beneficiado e a transparência será garantida pela nossa palavra.


É importante porque...

Tecnologias de reconhecimento facial estão no auge do debate sobre segurança da informação e privacidade.

Impacto de repercussão em rede social tem efeitos diretos em políticas privadas.


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